A
padronização das tarifas bancárias, em vigor desde 30 de abril,
fez com que os preços dessas taxas subissem quatro vezes mais do
que a alta dos alimentos, de 15 de abril a 15 de maio de 2008. É
o que mostra o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15
(IPCA-15), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE).
Os serviços bancários subiram 5,28% - quatro vezes a alta dos alimentos,
que foi de 1,26%, entre a última quinzena de abril e os primeiros
15 dias de maio. No geral, o IPCA-15 de maio foi de 0,56%.
Esse aumento significativo dos serviços bancários é o reflexo do
aumento das tarifas praticado pelos bancos no momento da transição
para as novas regras de padronização das taxas cobradas pelas instituições,
que passou a vigorar em 30 de abril, com aumentos de até 900% nos
preços antes cobrados - conforme matéria publicada ontem pelo Jornal
da Tarde.
A nova regra de padronização de tarifas foi uma determinação do
Banco Central. Os bancos tiveram de isentar os clientes de algumas
cobranças, como por exemplo, a emissão de cartão de débito e uma
quantidade limitada de saques. Entretanto, para não perder receita,
as instituições financeiras aumentaram o valor cobrado em outras
tarifas. E a medida acabou pesando no bolso do cliente. Um reflexo
disso é a inflação medida no período em que o maior índice veio
justamente dos serviços bancários.
"Essa modificação, embora dê maior transparência sobre o que é cobrado,
no fim, acaba saindo mais cara para o consumidor", disse o economista
Marcos Crivelaro. E concluiu: "O correto seria um tabelamento das
tarifas, com um teto máximo permitido para essas cobranças. Isso
sim geraria competitividade entre os bancos".
Outro aumento que contribuiu para a composição do índice foi o dos
remédios (1,73%), como reflexo do reajuste autorizado pela Câmara
de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed) com incidência sobre
determinados medicamentos a partir de 9 de abril. Destacaram-se
também as altas dos produtos de limpeza (1,67%) e dos salários dos
empregados domésticos, 1,20% no período.
Fonte: Jornal da Tarde
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