A conquista da casa própria sempre foi um sonho para a maioria dos brasileiros. Mas na prática não são só sonhos, desejos ou necessidades, mas também enganos, desilusões e desonestidades. A falta de atenção para com a população esta passando dos limites. O jornal Gazeta do Consumidor vem mostrando no decorrer de suas edições o descaso com moradores por parte das prefeituras e imobiliárias.
Muitas Imobiliárias em Curitiba e região usam da boa fé das pessoas, para vender terrenos com valores exorbitantes. Este é o caso do bairro Santa Terezinha em Fazenda Rio Grande, Região Metropolitana de Curitiba.
As condições dos terrenos não são das melhores. O risco de haver enchentes quando chove é grande, a população vive com medo e protesta em favor de uma infra-estrutura de vida melhor.

Quando chove a rua fica alagada. |

Mesma rua da foto ao lado,
em tempos de
estiagem. |
Durante entrevista com moradores, verificamos o quanto a população esta esquecida pelas autoridades e responsáveis pela infra-estrutura do loteamento. A moradora Luciane de Almeida que reside na Rua Santa Rosa, informou a nossa equipe que quando procurou a Imobiliária AZ Imóveis lhe ofertou um lote perfeito, praticamente sem nenhum problema aparente.
Depois da primeira enchente os problemas começaram a aparecer. “A estrutura do terreno é péssima, nós não temos esgoto, todo o resíduo que deveria ir para tratamento, cai direto no rio, que fica a menos de 30 metros da minha casa. Saneamento básico é artigo de luxo, as valetas estão a céu aberto e quando chove o rio transborda vazando todo o esgoto da região, para dentro de nossas residências, não sabemos mais o que fazer”, desabafa Luciane.

Rio localiza-se à poucos metros
das residências.
“Os lotes estão praticamente em cima do rio, descobrimos que esta região não esta legalizada, é considerada área de proteção ambiental. Ainda estou aterrando o lote, não tenho nem idéia de quanto já gastei, moro na região há pelo menos 5 anos e ainda continuo colocando terra para fugir das enchentes. O valor dos terrenos estão impagáveis, não temos mais condições de custear a quantia que a AZ exige, os juros são abusivos”, conta Luciane.
A população do loteamento pede ajuda com urgência, pois além da preocupação com a infra-estrutura do bairro, também existe o problema da poluição do rio que passa ao lado das casas. Lucimar Farias de Oliveira e seu esposo Daniel Marcos Moura, habitantes do local, também exigem uma providência. “Este ano por sorte ainda não houve alagamentos, mas ano passado a enchente inundou as casa por 2 vezes, em menos de 2 meses. Por ser ao lado das residências, o rio transborda com facilidade, levando todos os tipos de doenças através dos resíduos do esgoto que é depositado nas margens”, diz Lucimar.
Segundo a moradora, o casal chegou a contratar cerca de 10 caminhões de terra para finalizar o aterro, mas a água continua a inundar sua casa em dias de chuva. “Na última enchente perdi todos os meus móveis, o cheiro de esgoto quando o rio transborda é insuportável, alguma autoridade tem que tomar providências em relação ao manilhamento ou fechamento do rio, não suportamos mais esta situação”, conta Lucimar.
Este não é só o caso de Luciane, Lucimar e Daniel, mas também da maioria dos moradores de Fazenda Rio Grande, que sobrevivem em meio a situações descontroladas em relação a casa própria. Baseados em falsas promessas a população acaba por adquirir um imóvel em péssimo estado e contraindo uma divida considerável, que muitas vezes não tem condições de quitar.
Alberto Pape comprou seu terreno confiando na promessa de infra-estrutura completa como: saneamento básico, rede de esgoto, manilhamento, antipó e fechamento do rio. Morador do bairro Santa Terezinha, Pape informou que, quando se mudou para o loteamento, levantou com aterros, cerca de 60 centímetros o terreno e os pilares de sua residência, para evitar o problema com as enchentes, que já era uma situação bem conhecida por seus vizinhos. “Gastei cerca de cinco mil, reais na estrutura de base da casa. Lutei muito para construir minha residência, a maioria das minhas economias gastei aterrando o lote. Ninguém se pronunciou em nosso favor ainda, nem a imobiliária, muito menos a prefeitura, não desejo esta situação para ninguém”, desabafa Pape.
Segundo os moradores, o IPDC foi a única entidade que deu apoio e orientação sobre seus direitos como consumidores e cidadãos. A população exige uma ação que elimine as dificuldades que enfrentam, para que possam ter um futuro digno e uma moradia decente.
“Já procuramos os órgãos competentes e nada foi feito, esta situação é realmente inadmissível, por isto procurei o IPDC, através da orientação da Instituição é que posso defender meus direitos para ter uma vida melhor”, informa Pape.
As dificuldades enfrentadas por estas pessoas, não as assustam, sabem como se defender de imobiliárias que vendem um sonho, para sanar um desejo que se tornou necessidade, mas nem sempre esta história tem um final feliz. Por este e outros motivos é que o IPDC trabalha em favor da população, defendendo seus direitos como consumidores e cidadãos brasileiros, com respeito e dignidade.
Carla Lima
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