>Dia Mundial do Trabalho: ainda existe algo para comemorarmos?    
 

     O Congresso Socialista criou o dia mundial do trabalho em 1889 realizado em Paris. Em homenagem a greve geral que aconteceu em 1 de maio de oitenta e seis, na cidade de Chicago, o principal centro industrial dos Estados Unidos nesta época.
Os protestos inicialmente foram contra as más condições de trabalho. As circunstâncias em que encontravam-se os trabalhadores, eram desumanas. Eles eram submetidos a mais de 13 horas de trabalho por dia, não havia alimentação nem condições de higiene nos locais de trabalho. Nesta data, manifestações, passeatas, discursos e piquetes movimentaram a cidade, mas a repressão contra o movimento foi extrema, houve prisões, feridos e até mortes entre os operários manifestantes e a polícia, que tentava conter a revolta.
Em homenagem a batalha trabalhista em Chicago e por tudo que esta data significou na luta pelos direitos dos trabalhadores, o dia 1 de maio foi instituído como o Dia Mundial do Trabalho.
O direito é assegurado à todos os trabalhadores do mundo, em especial no nosso país. O Brasil ainda esta engatinhando, em relação aos direitos trabalhistas. Em muitas empresas privadas ou públicas, o desrespeito com o cidadão e principalmente com o trabalhador, é grande. A falta de condições para o desenvolvimento de um bom trabalho, a má remuneração, a trabalho escravo e o trabalho infantil, exploram os conceitos de emprego, pois, por muitas vezes as pessoas acabam trabalhando nestas condições para fugir do tão temido desemprego, que consequentemente levará o indivíduo a humilhação, a passar por sérias necessidades e certamente á uma depressão.


Para sanar algumas dúvidas em relação a este assunto, trazemos até você leitor, dicas de qual a diferença entre trabalho remunerado e voluntário e ainda ocupação e emprego.
Existem basicamente dois tipos de trabalho: o remunerado e o voluntário. No primeiro, a pessoa recebe dinheiro para desempenhar uma determinada função. Já no trabalho voluntário o indivíduo não recebe pela atividade que pratica, pois se oferece para fazer aquilo por sua própria vontade, com o objetivo de ajudar alguém.
2001 foi o ano Internacional do Voluntário. Esta data foi escolhida durante uma assembléia geral, realizada em 1997, pela Organização das Nações Unidas (ONU). A decisão obteve o apoio de 123 países, entre eles, o Brasil. A idéia surgiu a partir da necessidade de valorizar o papel do voluntário, hoje para o desenvolvimento social do mundo.
Ocupação e emprego: existe uma diferença entre ocupação e emprego. “Ocupação” abrange as pessoas que trabalham com ou sem vínculo empregatício, que trabalham por conta própria, que são proprietárias de estabelecimentos e aquelas que trabalham sem remuneração como, por exemplo, as pessoas que prestam serviços em instituições filantrópicas. Em outras palavras, é aquilo o que as pessoas fazem: a profissão, o ofício ou o cargo que exercem em seu trabalho (lavador de carros, faxineiro, engenheiro civil, técnico de contabilidade, pedreiro, alfaiate, chefe de equipe, diretor de colégio etc.).
Já, “Emprego”, se refere a todas as pessoas empregadas que, tendo uma ocupação, trabalham para um patrão (pessoa física ou jurídica), com ou sem vínculo empregatício.
Trabalho proibido
Mas uma das piores formas de trabalho, é o trabalho infantil. A Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente proíbem o trabalho infantil no Brasil. Segundo dados do IBGE, o país tem mais de 2,9 milhões de crianças trabalhando ilegalmente. Existem no mundo em torno de 250 milhões de crianças entre 5 e 14 anos que trabalham, segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
A maioria das crianças envolvidas em trabalho infantil tem de 5 á 14 anos de idade, normalmente trabalham em carvoarias, lavouras, olarias, pedreiras, marcado informal, atividades domésticas e uma das piores formas de trabalho é a prostituição infantil. As meninas representam um terço deste número. E mais de 50% desses menores não recebem nenhum tipo de remuneração.
Segundo informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 1999 (PNAD), revelou que a mão-de-obra infantil está mais concentrada em pequenos empreendimentos familiares, especialmente no setor agrícola. Em 1999, a atividade agrícola detinha 80,4% das crianças ocupadas de 5 a 9 anos de idade e 63,2% das ocupadas de 10 a 14 anos de idade. De 1995 para 1999, de acordo com a pesquisa, a proporção de crianças ocupadas no contingente de 5 à 14 anos de idade passou de 14,5% para 11,8% entre os meninos e de 7,8% para 6,0% entre as meninas.
Os Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina contam com mais de 70% de sua população de empregados, com carteira de trabalho. No caso dos trabalhadores domésticos, houve um aumento significativo na formalização do trabalho, passando de 18% para 25%, no período, ainda que bastante diferenciados no país, variando de 32,1% no Sudeste para 6,8% no Norte.
Hoje cerca 11 % dos trabalhadores do país estão desempregados e 2.557 morreram no momento em que trabalhavam, estes números fazem parte da estatística somente do último ano. Os salários continuam defasados, os servidores públicos obtiveram um aumento de apenas 1%. Se a reforma providenciaria proposta pelo governo atual for votada positivamente, o trabalhador terá que contribuir com a providência até depois de ter se aposentado.
O dia 1 de maio é para ser lembrado com orgulho, mas sem perder a indignação pela lenta justiça que adquirimos.

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