>Loteamento Rio Bonito continua sendo alvo de reclamações    
 

     O sonho de Maria Cristina Volpi era ter sua casa e não precisar se preocupar com o aluguel. Ela sabia que a moradia seria modesta, mas construída com esforço, amor e dedicação da família. O que Maria Cristina não poderia imaginar é que todos os planos fossem por terra.
A moradora comprou um terreno no loteamento Rio Bonito, que fica próximo do bairro Tatuquara, aproximadamente vinte e três quilômetros do Centro de Curitiba. O loteamento foi executado dentro do programa de parceria com a iniciativa privada, pela empresa Piemonte Construções e Incorporações Ltda. Os terrenos, como o de Maria Cristina, têm sido alvos de reclamações e protestos de seus moradores.

Risco constante de desmoronamento


Mau cheiro após a chuva

Os problemas são inúmeros, desde ruas esburacadas, até o mau cheiro que provém do tratamento de esgoto da Sanepar, que fica á poucos metros das residências, segundo a população o mau cheiro se tornou intolerável. As reclamações começaram no momento em que os moradores notaram a situação em que se encontravam suas moradias. A falta de galerias pluviais para escoamento da água das chuvas é uma dificuldade a ser enfrentada, as ruas têm vários pontos de erosão que necessitam ser fechados, pois estão interferindo diretamente na base da construção das casas. Uma das poucas formas de encarar as condições em que vivem é reclamando, a população pede uma providência imediata dos órgãos competentes.
As condições dos terrenos não são das melhores, são muito acidentados, e em outro plano do loteamento a situação é ainda pior, o local esta encharcado, a possibilidade de haver vertentes de água é grande. “Quando há sol a poeira é insuportável, e quando chove a lama e a água dificultam até na hora de sair de casa, muitas vezes temos que passar por terrenos baldios para não andar no meio das ruas alagadas”, afirma a moradora da região, Silvania Robentau.
Mas as dificuldades não se resumem somente no acúmulo de pó nos móveis das casas ou na lama que vem com as chuvas, problemas que poderiam ser sanados com asfalto, anti-pó e galerias para escoar as águas que se acumulam nas ruas. “As prestações dos lotes estão cada vez mais altas e não há condições de morar em terrenos como estes. As crianças da região estão ficando doentes com muita facilidade, tudo isto devido à poeira” conta Silvania.

Entre promessas e a realidade


Ruas sem pavimentação

Maria Cristina, conta que adquiriu o lote na esperança de ter um lugar para morar, na compra não foi informada que o local era encharcado. Durante sua visita ao loteamento foram vistos muitos locais em bom estado, terrenos altos e secos, e em nenhum momento foi citado pela empresa, que haviam áreas encharcadas. Quando começou a construção, percebeu que o terreno era úmido e instável, mesmo que fizesse mais aterros com pedras e outros materiais, a água que provém do subsolo não parava de subir para o local. Segundo a moradora, toda residência está úmida e fria, em uma das peças há poças de água que nunca pára de surgir, mesmo que seque. “È muito difícil conviver com esta situação, existem pontos de “minas d’água” nos terrenos, pode estar calor, o tempo pode estar ensolarado, mais o chão nunca seca”, afirma Maria Cristina.
A estrutura das casas pode ser alta e reforçada, mas a umidade sobe e mantém as residências sempre úmidas. Alcides Pereira da Silva, 76 anos, morador da região, diz que fez um alicerce sólido para construir sua casa, mas o problema de infiltração de água se tornou normal. Durante a construção de sua residência aterrou por várias vezes a base do terreno, e em meio à obra surgiu uma “veia d’água” que não parou de vazar em nenhum momento. O vazamento só finalizou quando fez camadas de pedras para que a vertente secasse. Mas sua casa ainda continua com pontos úmidos e muitas vezes encharcados, o morador destaca que sempre procurou plantar árvores na tentativa de enxugar a terra, mas todas as plantas morrem ou secam devido à umidade do solo.

Umidade e infiltrações I


Umidade e infiltrações II

Os moradores informam que já pediram ajuda aos órgãos responsáveis e não foi tomada nenhuma iniciativa em relação aos problemas que enfrentam. Pedem auxílio para que estas dificuldades acabem, pois estão passando por um enorme obstáculo para ter uma vida digna e uma moradia decente.

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